Polifarmácia e interações medicamentosas com inibidores da via do receptor de androgênio em pacientes com nmCRPC: dados de mundo real
Data da publicação
Evento:
teste
Um estudo de mundo real conduzido no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP-USP) avaliou a prevalência de polifarmácia e potenciais interações medicamentosas em pacientes com câncer de próstata resistente à castração não metastático (nmCRPC) tratados com inibidores da via do receptor de androgênio.
Foram revisados prontuários de 1.234 pacientes, dos quais 96 preencheram critérios para nmCRPC de alto risco. A população apresentou idade mediana de 73 anos, com mediana de 4 medicações concomitantes, refletindo elevada carga de comorbidades.
A polifarmácia (≥5 medicações) foi observada em 43% dos pacientes. Entre os fármacos mais frequentemente utilizados estavam losartana, aspirina, hidroclorotiazida, metformina e sinvastatina.
Potenciais interações medicamentosas foram mais comuns com enzalutamida e apalutamida, enquanto a darolutamida apresentou menor frequência de interações clinicamente relevantes. Entre os exemplos descritos estiveram redução da exposição a amlodipina e omeprazol, aumento de níveis de amiodarona e diminuição potencial da exposição à darolutamida quando administrada com carbamazepina.
Um achado importante do estudo foi a falta de consistência entre diferentes plataformas de avaliação de interações medicamentosas, como Drugs.com e Lexicomp. Houve discordâncias relevantes tanto na identificação quanto na classificação da gravidade das interações potenciais, reforçando a necessidade de interpretação clínica individualizada e checagem cruzada das informações na prática assistencial.
Na análise de desfechos oncológicos, a polifarmácia demonstrou tendência a menor sobrevida global, embora sem significância estatística em análise multivariada (HR 1,66; IC95% 0,94–2,91; p=0,08). Por outro lado, a presença de interações medicamentosas potenciais com ARPIs não se associou a pior sobrevida livre de metástases ou sobrevida câncer-específica.
Os autores destacam que a elevada prevalência de polifarmácia em pacientes com nmCRPC torna essencial a avaliação sistemática de interações medicamentosas, especialmente em um cenário de uso cada vez mais amplo e precoce de terapias hormonais de nova geração.
Apresentador: Edwin A. D’Souza (ICESP-USP, Brasil).
Blog
Congressos Relacionados
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026
-
mar/2026

