ADT + radioterapia com ou sem cabazitaxel no câncer de próstata localizado de muito alto risco: estudo PEACE-2
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O estudo randomizado de fase 3 PEACE-2 avaliou o papel da intensificação sistêmica com cabazitaxel em pacientes com câncer de próstata localizado de muito alto risco, tratados com privação androgênica prolongada associada à radioterapia. Foram incluídos pacientes definidos por pelo menos dois critérios entre estádio T3-4, escore de Gleason 8–10 ou PSA ≥20 ng/mL, sem doença nodal ou metastática detectável por imagem convencional.
Foram randomizados 761 pacientes em um desenho fatorial 2×2. Todos receberam privação androgênica por 3 anos e radioterapia prostática (74–78 Gy; IMRT obrigatória), iniciada após três meses de ADT. Os pacientes foram randomizados para:
1) ADT + RT Próstata
2) ADT + RT Próstata + RT Pelve
3) ADT + RT Próstata + Cabazitaxel
4) ADT + RT Próstata + RT Pelve + Cabazitaxel
No braço experimental, os pacientes receberam cabazitaxel 20–25 mg/m² a cada 3 semanas por quatro ciclos. A inclusão ocorreu entre 2013 e 2021 em centros europeus, com seguimento mediano de 7,3 anos. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão clínica, definida como ocorrência de morte, metástases ou recidiva local comprovada. Em sete anos, a taxa de cPFS foi 67,2% no braço sem cabazitaxel e 62,8% no braço com cabazitaxel (HR 1,09; IC95% 0,85–1,38; p=0,51), sem evidência de benefício com a intensificação.
Nos desfechos secundários, a sobrevida livre de progressão bioquímica apresentou mediana de 9,2 anos sem cabazitaxel versus 10,2 anos com cabazitaxel (HR 0,99; p=0,96). A sobrevida livre de metástases também não diferiu entre os grupos (HR 1,09; p=0,51). Em relação à sobrevida específica por câncer de próstata em nove anos, as taxas foram 89% versus 90%, respectivamente (HR 0,86; p=0,57). Não houve interação entre o uso de cabazitaxel e a radioterapia pélvica.
Um ponto relevante destacado pelos autores foi o prognóstico global relativamente favorável, com cerca de 1 em cada 10 pacientes evoluindo para morte por câncer de próstata na primeira década, mesmo em uma população classificada como de muito alto risco. Esse achado levanta questionamentos sobre a definição atual desse grupo, especialmente considerando o potencial impacto de métodos modernos de imagem, como o PET com PSMA, na reclassificação de pacientes inicialmente considerados localizados.
Os resultados indicam que a adição de cabazitaxel não deve ser incorporada ao padrão de tratamento nesse cenário, reforçando a necessidade de melhor estratificação de risco e seleção de estratégias de intensificação mais direcionadas.
Apresentador: Karim Fizazi.
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